Público ou privado?
Uma breve lição muito fácil sobre matemática: Na cidade onde eu moro, se a cada 10 pessoas, 6 são mulheres e 4 são homens, então a cada 100 pessoas, 60 são mulheres e 40 são homens, certo?! Da mesma forma, a cada 1000 pessoas, 600 são mulheres e 400... Se este raciocínio está correto, então observe:
Um homem tinha um enorme sítio no qual havia plantado várias espécies vegetais que davam frutos deliciosos a cada época do ano. O sítio desse homem ficava em meio a um bairro da periferia de uma cidade e servia tanto de moradia quanto para desfrutar suas férias.
Certo dia, o homem caminhava no centro da cidade quando alguém lhe ofereceu algumas sementes de uma planta ainda desconhecida que daria frutos muito deliciosos. Naquela oportunidade, a pessoa fez o homem experimentar uma amostra do fruto que aquelas sementes lhe dariam no futuro. Como estivesse muito interessado, o homem teve que pagar pelas sementes e as levou consigo.
Quando voltou ao seu sítio, o homem percebeu que não havia espaço para plantar aquelas sementes: todas as árvores e plantas haviam se desenvolvido de tal forma que uma planta a mais seria sufocada pelas outras e não vingaria. Daí que o homem ficou pensativo. Se sacrificasse alguma de suas plantas menos importante, não havia certeza de que as sementes se desenvolveriam naquele terreno. Se podasse outras plantas, também havia o risco tanto de serem sufocadas quanto de competição por terreno através das raízes das plantas já existentes. Então, dirigindo-se à sua esposa, perguntou-lhe o que faria. A mulher não pensou duas vezes: olhou em direção além da rua e observou que a praça de frente à sua casa tinha espaço sobrando. E disse ao marido: “Olhe a praça de frente à nossa casa. Plante ali, e todos os dias você poderá cuidar das mudas até que se tornem árvores e dêem frutos. De alguma forma ou de outra, você estará contribuindo para o meio ambiente, não é?!”. E assim aconteceu: O homem tomou conselho de sua esposa, plantou aquelas sementes na praça pública e todos os dias ele ia ali para adubar e aguar.
O tempo se passou, as sementes vingaram, desenvolveram-se até se tornarem belas árvores, quando então aquele homem foi acometido de uma doença e teve que ficar hospitalizado. Durante esse tempo, as árvores nascidas naquela praça deram frutos saborosos, e todos que passavam tomavam dos frutos e os levavam consigo.
Quando o homem se recuperou da doença, voltou pra casa e recebeu vários elogios de seus vizinhos e conhecidos que tinham saboreado dos frutos das árvores que o homem havia plantado em praça pública. No entanto, quando o homem se dirigiu às árvores, não havia mais frutos. O jeito foi esperar a próxima vez que os frutos viriam.
Aconteceu que o homem precisou viajar. Durante o tempo de sua viagem, as árvores voltaram a dar frutos naquela praça pública. Mais uma vez, todos que passavam tomavam dos frutos e os levavam consigo. Quando o homem retornou de sua viagem, soube que as árvores tinham dado frutos. Mas, ao dirigir-se às árvores, não encontrou fruto algum que pudesse saborear.
Alguns meses depois, o homem não havia percebido que devia uma enorme quantia quando alguém veio lhe cobrar. Para ter de pagá-la, precisou arrendar seu sítio por dois anos. Nesse período, ele teve que mudar-se para o outro lado da cidade e assim ficou sem poder saborear dos frutos daquelas árvores. Quando davam frutos, as pessoas passavam, tomavam dos frutos e os levavam consigo.
Passado o período de arrendamento de seu sítio, o homem conseguiu pagar sua dívida e voltou a morar ali. Porém, sofreu um acidente, e parte de seu tratamento teve de ser em casa. Nessa época, as árvores voltaram a dar frutos. Como o homem estivesse acamado, sua esposa foi pegar alguns dos frutos daquelas árvores na praça que um dia aquele homem havia plantado, adubado, aguado e cuidado, até se tornarem belas árvores. Quando os frutos foram trazidos, o homem se lembrou de que não podia comê-los sob pena de seu estado doentio agravar. E teve de dispensá-los.
Durante vários dias em que esteve acamado, o homem via as pessoas passarem pela praça, tomarem dos frutos daquelas árvores e os levarem, saboreando-os e comentando umas com as outras sobre justamente onde aquelas árvores foram plantadas. Quem, porventura, teria tido a generosa piedade de plantar árvores que dessem frutos tão deliciosos para todos provarem? Numa época de tantos egoísmos, era meio matuto ou estranho, sinistro ou até mesmo terrivelmente misterioso reconhecer de alguém sua generosidade.
Enfim, o homem ficou sadio e pôde, então, esperar a época em que aquelas árvores voltariam a dar frutos. Quando as árvores frutificaram, o homem correu com uma enorme vasilha e tomou pra si vários de seus frutos. Em casa, o homem saboreava quão delicioso eram os frutos daquelas árvores, depois de ter esperado tanto tempo após terem se desenvolvido. Porém, algum tempo depois de ter-se deliciado com aqueles frutos, o homem voltou-se para as árvores e teve uma idéia funesta. Ele não aceitava que as pessoas tomassem também daqueles frutos, pois acreditava que era proprietário das árvores. Dirigiu-se à praça e ergueu um muro ao redor das árvores que havia plantado, reservando para si uma área antes considerada pública, na intenção de que quando as árvores frutificassem, os frutos ficariam todos com aquele homem.
Alguém percebeu sua ousadia e o denunciou ao órgão público competente, que imediatamente determinou que aquele homem demolisse o muro construído em área pública. Daí que o homem quis se defender com seu advogado, o que não pôde causar efeito algum naquele momento. Então, crente de seus direitos, resolveu apelar ao prefeito da cidade.
O que será que o prefeito respondeu ao homem?
Para refletir:
“Amigo, não fui injusto contigo. Não combinaste um denário? Toma o que é teu e vai. Eu quero dar a este último o mesmo que a ti. Não tenho o direito de fazer o que eu quero com o que é meu? Ou o teu olho é mau porque sou bom?” (1);
“Sabias que eu colho onde não semeei e que ajunto onde não espalhei?” (2);
“Quem é fiel nas coisas mínimas, é fiel também no muito... Se não fostes fiéis em relação ao bem alheio, quem vos dará o vosso?” (3);
“Quando tiverdes cumprido todas as ordens, dizei: Somos servos inúteis, fizemos apenas o que devíamos fazer” (4).
Cf. (1) Mt 20, 13-15; (2) 25, 26; (3) Lc 16, 10.12; (4) 17, 10.
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