Jejum convocado pelo presidente
Rumores afirmam que o presidente Jair Bolsonaro havia convocado o povo a fazer um jejum no domingo, 05 de abril de 2020, para que o Brasil “fique livre do coronavírus o mais rápido possível”. Em nossa Constituição, o Brasil é declarado um estado laico, e independente da religião seguida por quaisquer que ocupe cargos públicos, especialmente políticos, exercícios espirituais como é o jejum não é exigência para qualquer investidura ou competência. Contudo, existe sim uma suposta “boa intenção” do presidente alinhado à doutrina “evangélica” diante do caos cada vez mais grave em nosso país.
O jejum é um exercício espiritual que consiste numa renúncia provisória de necessidades básicas imprimindo um sentido de aprofundamento do que realmente se percebe mais necessário. Basicamente, é deixar de comer durante um período do dia, especialmente pela manhã; mas existem diversos tipos de jejum, além do convencional. A prática do jejum é bastante antiga e remonta bem antes do surgimento do Cristianismo. Em alguns momentos históricos, acreditou-se que o jejum seria capaz de purificar pecados, passando a impressão de autossuficiência, e isso foi classificado como heresia pela Igreja – o chamado “puritanismo”.
O Brasil é um dos países mais “cristãos” de todo o mundo, se somarmos católicos e “evangélicos” declarados. Como os “evangélicos” são dissidentes do catolicismo em quase sua totalidade, é possível deduzir que todos conheçam a importância de exercícios espirituais como o jejum. Enquanto o catolicismo pratica seus exercícios espirituais com discrição, um presidente “recém-convertido” ao protestantismo ainda não possui maturidade necessária para adequar uma convocação pública a um jejum que envolva “evangélicos” e católicos. A intenção parece ser boa, a questão é a finalidade.
Assim como o jejum, diversas outras práticas espirituais cristãs foram distorcidas pelos “evangélicos”, ao terem abandonado sua origem católica. Isso porque o domingo é sagrado pra quem é católico, na mesma ou maior intensidade que o sábado é sagrado pro judeu. A tradição cristã considera que Jesus ressuscitou num domingo, e de domingo em domingo, ele voltou a aparecer para os Apóstolos até ir para os céus (...). Portanto, a tradição da Igreja entendeu que o domingo é um dia festivo.
O jejum é uma espécie de sacrifício pessoal. Não é conveniente para o cristão celebrar no domingo fazendo sacrifício pessoal que contraste com o maior de todos os sacrifícios que é a cruz de Jesus. Especialmente nos domingos, a Igreja não celebra outro sacrifício além da cruz de Jesus durante a missa.
Essa passagem esclarece, por outras palavras, o quanto qualquer de nossos sacrifícios pessoais pode se unir ao sacrifício de Cristo. Contudo, isso se dá em comunhão com a Igreja.
Durante a celebração da missa dominical, existem momentos especiais dispostos a apresentação de sacrifícios pessoais de modo que tais sacrifícios possam se unir ao sacrifício da cruz de Cristo, que são: perdão, oferta e abraço da paz. São esses sacrifícios pessoais que atendem à comunhão com a doutrina cristã durante a celebração dominical.
A doutrina da Igreja não nos coloca nenhuma dificuldade para seguir os passos de Jesus, mesmo através de sacrifícios pessoais. Por isso, em apenas 02 dias do ano o católico seria “obrigado” a fazer jejum, que é na quarta-feira de cinzas (depois do carnaval) e na sexta-feira santa (paixão de Cristo). Além desses dias, é opcional fazer jejum noutras épocas, dependendo da espiritualidade de cada um, porém jamais em dias de domingo.
Se Bolsonaro quer fazer jejum num domingo por seguir a doutrina “evangélica”, por um lado isso se torna uma afronta ao distorcer o sentido natural dado à sacralidade do domingo; por outro, como o sacrifício pessoal pode unir-se ao sacrifício de Jesus na cruz celebrado em dia de domingo, seria plausível que o jejum convocado não criasse constrangimento e atendesse à doutrina cristã em sua completude, em sua totalidade, para isso necessitando da comunhão com a Igreja.
Diante da realidade que se criou pela presença do coronavírus no Brasil, fazer jejum num domingo para “afastar essa ameaça” tanto não atende à integridade da doutrina cristã, quanto atenta contra a própria autoridade divina. É outra forma distorcida de querer forjar a vontade de Deus, como tantas que os “evangélicos” se tornaram especialistas. Repetimos na oração do Pai-nosso: “Seja feita a tua vontade...”. E isso seja com ou sem jejum. Deus não precisa de nossos jejuns para fazer a vontade dele com ou sem coronavírus.
Poderia parecer intenção boa oferecer jejum para “afastar o coronavírus”, ingenuamente boa. Porém, seria possível reaproveitar a intenção ao oferecer outra forma de jejum, além do sacrifício de evitar os alimentos. Na realidade, vê-se que artistas e personalidades esportivas estão fazendo caridade doando muito mais do que Bolsonaro pretende ao oferecer um domingo de jejum. Inúmeras pessoas “do mundo profano”, aquelas que não vivem de igreja todos os domingos, estão arrecadando fundos para oferecer aos pobres que serão os mais assolados com essa pandemia, além do trato com os enfermos do coronavírus.
Se existe a intenção ingenua e supostamente “boa” em oferecer um jejum, o melhor jejum para quem viveu de pecados como o Bolsonaro, possui riquezas a custo dos impostos de toda a população brasileira e incitou o ódio contra adversários políticos, seu melhor jejum seria reverter tudo isso, sem depender da exclusividade de um domingo. No dia que ele sentir de Deus que deve pedir perdão por seus pecados públicos, no dia que devolver aos pobres metade de suas riquezas assim como fez Zaqueu e no dia que ele buscar reconciliar-se contra quem inventou mentiras ou “fake news” para se eleger, aí sim, esse dia não dependerá de qualquer domingo, sábado ou sexta-feira, assim como aconteceu com a conversão de muitos... Não é que seria proibido fazer jejum ainda mais num domingo. Trata-se apenas da forma como se distorcem as orientações doutrinárias contra a comunhão da Igreja.
O Domingo de Ramos é o encerramento do período quaresmal e início da Semana Santa. Mesmo se dizendo “evangélico” por sua doutrina dissidir do catolicismo, isso não impede ou constrange qualquer “evangélico” de oferecer seus sacrifícios pessoais unindo-se aos sacrifícios de Cristo em comunhão com todos os outros cristãos. Eu e você poderíamos inventar qualquer tipo de jejum? Sim, com certeza. Porém, acaso não seria melhor seguir aqueles que estiveram bem mais próximos de Cristo do que apenas nossa imaginação?
Católico oferece jejum na Sexta-feira Santa. Esse dia é de tal modo exclusivo que qualquer outra intenção só seria válida, se alinhada ao sacrifício de Cristo na cruz. Se não estiver em comunhão com a Igreja e alinhado à intenção de unir-se ao sacrifício de Jesus na cruz, qualquer jejum não passa de mera vaidade e convite rebelde para a dispersão.
O jejum é um exercício espiritual que consiste numa renúncia provisória de necessidades básicas imprimindo um sentido de aprofundamento do que realmente se percebe mais necessário. Basicamente, é deixar de comer durante um período do dia, especialmente pela manhã; mas existem diversos tipos de jejum, além do convencional. A prática do jejum é bastante antiga e remonta bem antes do surgimento do Cristianismo. Em alguns momentos históricos, acreditou-se que o jejum seria capaz de purificar pecados, passando a impressão de autossuficiência, e isso foi classificado como heresia pela Igreja – o chamado “puritanismo”.
O Brasil é um dos países mais “cristãos” de todo o mundo, se somarmos católicos e “evangélicos” declarados. Como os “evangélicos” são dissidentes do catolicismo em quase sua totalidade, é possível deduzir que todos conheçam a importância de exercícios espirituais como o jejum. Enquanto o catolicismo pratica seus exercícios espirituais com discrição, um presidente “recém-convertido” ao protestantismo ainda não possui maturidade necessária para adequar uma convocação pública a um jejum que envolva “evangélicos” e católicos. A intenção parece ser boa, a questão é a finalidade.
Assim como o jejum, diversas outras práticas espirituais cristãs foram distorcidas pelos “evangélicos”, ao terem abandonado sua origem católica. Isso porque o domingo é sagrado pra quem é católico, na mesma ou maior intensidade que o sábado é sagrado pro judeu. A tradição cristã considera que Jesus ressuscitou num domingo, e de domingo em domingo, ele voltou a aparecer para os Apóstolos até ir para os céus (...). Portanto, a tradição da Igreja entendeu que o domingo é um dia festivo.
O jejum é uma espécie de sacrifício pessoal. Não é conveniente para o cristão celebrar no domingo fazendo sacrifício pessoal que contraste com o maior de todos os sacrifícios que é a cruz de Jesus. Especialmente nos domingos, a Igreja não celebra outro sacrifício além da cruz de Jesus durante a missa.
“Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja” - Col 1,24
Essa passagem esclarece, por outras palavras, o quanto qualquer de nossos sacrifícios pessoais pode se unir ao sacrifício de Cristo. Contudo, isso se dá em comunhão com a Igreja.
Durante a celebração da missa dominical, existem momentos especiais dispostos a apresentação de sacrifícios pessoais de modo que tais sacrifícios possam se unir ao sacrifício da cruz de Cristo, que são: perdão, oferta e abraço da paz. São esses sacrifícios pessoais que atendem à comunhão com a doutrina cristã durante a celebração dominical.
A doutrina da Igreja não nos coloca nenhuma dificuldade para seguir os passos de Jesus, mesmo através de sacrifícios pessoais. Por isso, em apenas 02 dias do ano o católico seria “obrigado” a fazer jejum, que é na quarta-feira de cinzas (depois do carnaval) e na sexta-feira santa (paixão de Cristo). Além desses dias, é opcional fazer jejum noutras épocas, dependendo da espiritualidade de cada um, porém jamais em dias de domingo.
Se Bolsonaro quer fazer jejum num domingo por seguir a doutrina “evangélica”, por um lado isso se torna uma afronta ao distorcer o sentido natural dado à sacralidade do domingo; por outro, como o sacrifício pessoal pode unir-se ao sacrifício de Jesus na cruz celebrado em dia de domingo, seria plausível que o jejum convocado não criasse constrangimento e atendesse à doutrina cristã em sua completude, em sua totalidade, para isso necessitando da comunhão com a Igreja.
Diante da realidade que se criou pela presença do coronavírus no Brasil, fazer jejum num domingo para “afastar essa ameaça” tanto não atende à integridade da doutrina cristã, quanto atenta contra a própria autoridade divina. É outra forma distorcida de querer forjar a vontade de Deus, como tantas que os “evangélicos” se tornaram especialistas. Repetimos na oração do Pai-nosso: “Seja feita a tua vontade...”. E isso seja com ou sem jejum. Deus não precisa de nossos jejuns para fazer a vontade dele com ou sem coronavírus.
Poderia parecer intenção boa oferecer jejum para “afastar o coronavírus”, ingenuamente boa. Porém, seria possível reaproveitar a intenção ao oferecer outra forma de jejum, além do sacrifício de evitar os alimentos. Na realidade, vê-se que artistas e personalidades esportivas estão fazendo caridade doando muito mais do que Bolsonaro pretende ao oferecer um domingo de jejum. Inúmeras pessoas “do mundo profano”, aquelas que não vivem de igreja todos os domingos, estão arrecadando fundos para oferecer aos pobres que serão os mais assolados com essa pandemia, além do trato com os enfermos do coronavírus.
Se existe a intenção ingenua e supostamente “boa” em oferecer um jejum, o melhor jejum para quem viveu de pecados como o Bolsonaro, possui riquezas a custo dos impostos de toda a população brasileira e incitou o ódio contra adversários políticos, seu melhor jejum seria reverter tudo isso, sem depender da exclusividade de um domingo. No dia que ele sentir de Deus que deve pedir perdão por seus pecados públicos, no dia que devolver aos pobres metade de suas riquezas assim como fez Zaqueu e no dia que ele buscar reconciliar-se contra quem inventou mentiras ou “fake news” para se eleger, aí sim, esse dia não dependerá de qualquer domingo, sábado ou sexta-feira, assim como aconteceu com a conversão de muitos... Não é que seria proibido fazer jejum ainda mais num domingo. Trata-se apenas da forma como se distorcem as orientações doutrinárias contra a comunhão da Igreja.
O Domingo de Ramos é o encerramento do período quaresmal e início da Semana Santa. Mesmo se dizendo “evangélico” por sua doutrina dissidir do catolicismo, isso não impede ou constrange qualquer “evangélico” de oferecer seus sacrifícios pessoais unindo-se aos sacrifícios de Cristo em comunhão com todos os outros cristãos. Eu e você poderíamos inventar qualquer tipo de jejum? Sim, com certeza. Porém, acaso não seria melhor seguir aqueles que estiveram bem mais próximos de Cristo do que apenas nossa imaginação?
Católico oferece jejum na Sexta-feira Santa. Esse dia é de tal modo exclusivo que qualquer outra intenção só seria válida, se alinhada ao sacrifício de Cristo na cruz. Se não estiver em comunhão com a Igreja e alinhado à intenção de unir-se ao sacrifício de Jesus na cruz, qualquer jejum não passa de mera vaidade e convite rebelde para a dispersão.