Opinião sobre a IDEOLOGIA DE GÊNERO
Uma das mais nobres virtudes do ser
humano é saber se colocar no lugar do outro, inclusive de seus ditos “inimigos”,
para compreender o impulso que ressoa contrário. E foi nesse intuito que
considerei a utilidade da tal ideologia de gênero, do ponto de vista de seus
idealizadores.
Segundo informações que nos chegam, a
tal ideologia de gênero resume-se em afirmar que todos nascemos sem sexo
definido do ponto de vista consciente e que a sociedade é quem dita nossa
sexualidade num movimento do exterior para o interior, formando nossa consciência
desde pequenos. Distúrbios ou anomalias podem surgir no decorrer da infância
para a puberdade, gerando comportamentos “estranhos” ao normal para indicar uma
súbita tendência sexual diferenciada na fase adulta. Ora, se nascemos sem sexo
definido do ponto de vista consciente, a ideologia de gênero reivindica um
estado de neutralidade permanente até que o indivíduo se torne consciente e
possa escolher seu sexo, não a partir das orientações de religiões ou de
instituições como a família.
Pontue-se a diferença a partir do
momento em que nascemos até a fase adulta, quando nossa consciência está
formada. Do ponto de vista psicológico, é fato que a consciência é formada do
exterior para o interior, não o contrário. É sim a família e a sociedade quem dá orientações para a formação da consciência de um indivíduo. Ninguém nasce com consciência
ou que ela seria formada “automaticamente”. Linguagem, costumes, tradição,
história, raciocínio e religião são alguns dos vetores que formam a consciência
de um indivíduo no movimento do exterior para o interior. Nesse ponto, a
ideologia de gênero poderia parecer atrativa em seu discurso positivo,
considerando estudos científicos. Porém, existem um “porém” que é fato além de
qualquer estudo científico.
Considere que a verdade nem sempre é
provada a partir de estudos científicos. Já ouviu falar na hipótese? Hipótese é
a afirmação ou proposição de uma verdade a partir de um princípio de onde se
deduz um conjunto de ideias. Por exemplo: “o sol aquece a terra”; o fato de o
sol aquecer a terra não precisou de mais de 10 mil anos de civilização para o
homem lançar alguma sonda espacial e colher dados no espaço que comprovassem
que o calor que recebemos vem do sol. Da mesma forma, a sexualidade definida
como macho e fêmea não precisaria de algo concreto a partir da consciência para
indicar a qual sexualidade pertence cada indivíduo.
Como a ideologia de gênero afirma,
nascemos sim sem consciência do sexo a que pertencemos. Mas, se a família e a
sociedade formam a consciência do exterior para o interior do indivíduo, por
que a ideologia de gênero defende um estado de neutralidade permanente até que
o individuo possa escolher seu sexo, independente de possuir pênis ou vagina? Fazendo
um retrocesso em nossa consciência histórica, se nossa consciência foi formada
pela sociedade e por nossa família, então quem formou a consciência da
sociedade e da família? Naturalmente, foi outra sociedade e outra família anterior
à nossa. E nesse movimento de retrocesso, iremos nos deparar com os primeiros hominídeos
que saíram das árvores para viver nas cavernas. Até aí, as denominações de “macho”
e “fêmea” parecem ter seguido uma linha de identidade a partir da linguagem.
E quando naquele retrocesso, não havia
mais linguagem? Quando aqueles primeiros hominídeos se tornaram conscientes de
si, que não precisavam mais subir em árvores e se esconderam nas cavernas? “Macho”
e “fêmea” deixaram de existir? A sexualidade foi algo criado pelo imaginário da
consciência humana? Eis porque erra a tal ideologia de gênero. Quando não havia
família, quando não havia sociedade, a consciência dos primeiros humanos foi
formada a partir do próprio impulso natural, da sua relação com a natureza. Revoltar-se
contra o fato sugere uma viagem dos ditos “extraterrestres” ao espaço sem
volta.
Nessa viagem histórica agora no sentido
de volta para o futuro, as palavras “macho” e “fêmea” não são meras palavras de
uma língua, mas símbolos de algo que carregamos por herança da humanidade. Se por
um acaso, algum indivíduo resolvesse trocar o significado dessas palavras e
atribuir “macho” à vagina e “fêmea” ao pênis, acaso a sexualidade deixaria de
ser quem é? Aqui a ideologia da relatividade entre símbolo e significado
encontra seu contrassenso, isso porque o bojo da ideologia de gênero tenta relativizar
os significados no sentido positivo da natureza. Por alguma necessidade natural
não atribuímos valores ou significado a “macho” e “fêmea” de forma relativa,
mas fatídica e a partir de algo real.
O ser humano precisou de semelhantes, de
se identificar com seus familiares e os que lhe eram desconhecidos. E nessa
relação construímos a sexualidade de forma histórica a partir de algo genético.
Identificamos isso por necessidade da consciência através da linguagem no
sentido positivo, seguindo a lei da entropia. Kant afirmava que todo
conhecimento é precedido de nossa predisposição natural a formar preconceitos,
ou seja, diferenciamo-nos dos animais pela atribuição de preconceitos formados a
partir de nossa natureza em relação com o exterior. A relação do exterior com
nossos preconceitos é que formam os significados que geram o conhecimento de
algo. Porém, a ideologia de gênero descarta a construção da sexualidade como
valor, num súbito ateísmo que mais tende ao idiotismo da arrogância de quem não
se identifica com o restante da humanidade. Os ditos “exclusivos” de bandeira
erguida contra o cristianismo.
A construção dessa sexualidade sofreu
sim ditaduras e repressões históricas, mas isso ainda não justifica o fato de
castrar o indivíduo do direito que a família e a sociedade têm sobre a
orientação de sua sexualidade. Impor que o homem seja macho ou que a mulher
seja fêmea tampouco justificaria um estado de suspensão da sexualidade até que
o indivíduo se tornasse consciente de si. Seria extremamente desumano congelar
a sexualidade de alguém relativizando o que seria macho ou fêmea, desde sua infância
até a adolescência, quando sua consciência pudesse fazer seus primeiros
experimentos, se a família e a sociedade podem e devem prepará-lo antes (se não
fosse, a família e sociedade não teriam outra finalidade).
Quando bebês, não precisamos de
consciência para desenvolver os sentidos, não precisamos de consciência para
comer e aprender a escolher o que comer. Não precisamos de consciência para
aprender e escolher a língua que os pais falam. Não precisamos de consciência
para aprender e escolher o que pegar, cheirar e ver. Ao contrário, todas essas
coisas contribuem no sentido positivo para as necessidades básicas que temos, nessa
relação natural do exterior com nosso interior, inclusive a tendência à realização
da sexualidade na fase adulta.
Bem, se é nobre a virtude de colocar-se
no lugar do outro, convido os irmãos “exclusivos” a colocar-se no lugar dos
cristãos, que se realizam em sua sexualidade, sem precisar confundir seu
significado. Essas considerações respeitam as opiniões contrárias, se não forem
fruto de meros passatempos cujo intuito maior não seja produzir conhecimento,
mas uma tese a mais nas bibliotecas universitárias, que garanta um salário e
uma posição de destaque pelo estrago que faz na sociedade, qual seja os
idealizadores da tal ideologia de gênero.
Vinho é bom, mas é desumano embebedar uma
criança, assim como nunca ensiná-la que um dia na fase adulta, ela
experimentará um vinho que quanto mais envelhecido, mais saboroso é.

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