As duas mulheres
Numa das mais belas cidades da França, havia duas mulheres muito importantes. Uma se chamava Beatriz e a outra, Débora. Beatriz e Débora tinham a mesma idade e foram amigas de infância, a ponto de estudarem na mesma escola durante anos. Costumavam trocar segredos entre si e até chegavam a dormir uma na casa da outra quando ficavam até tarde estudando ou vendo filmes.
Lá para os dezessete ou dezoito anos, Beatriz conheceu seu grande amor. Foi na época em que ingressou na faculdade de Administração. Durante os anos de faculdade, Beatriz teve que se afastar um pouco de sua amiga Débora por causa de seu namoro. Mas, desde que sua amiga tinha começado a namorar, Débora sentiu-se meio que abandonada. Carente como ficou, até ciúmes Débora sentiu de sua amiga, chegando a inventar histórias mentirosas para tentar recuperar sua amiga da companhia de seu namorado. Nada disso funcionou. Beatriz se casou e foi passar sua lua-de-mel bastante longe dali.
Débora conseguiu o título de Bacharel em Física e alguns anos depois, chegou a ingressar na agência espacial mais conhecida do mundo: a NASA. Também ali, nos EUA, conheceu seu futuro marido, com quem logo se enlaçou, sem mais trazer lembranças de sua amiga de infância.
Anos se passaram, até que Beatriz e seu marido foram eleitos prefeitos daquela cidade onde sempre viveram na França. De outro lado, Débora e seu marido conseguiram tempo para tirar férias, e, então, seu marido desejava conhecer a cidade-natal onde Débora fora criada e educada. Resolveram voltar à França, onde provavelmente Débora se encontraria com sua amiga Beatriz, depois de anos sem se verem.
Aconteceu que quando Débora chegou de volta à sua cidade-natal com seu marido, soube que sua amiga Beatriz era prefeita dali. Sem dar muita importância a isso, dirigiu-se a casa onde moravam seus pais e ali ficou desfrutando suas férias. Ainda trazia consigo algum resquício de boas lembranças da amiga de infância, mas algo supostamente indefinido ela sentia por sua amiga, como um amálgama de inveja, ciúme e desejo de vingança, talvez por ter se sentido abandonada quando esteve carente. Talvez não quisesse assumir o súbito desejo que tinha de ter a sorte de sua amiga, mesmo conquistando títulos e glórias com a profissão que escolheu.
Passados alguns dias, Beatriz aniversariou. Mandou, então, convidar todos os seus amigos íntimos para uma festa comemorativa. Na ocasião, alguém lhe falou que sua amiga Débora estava de volta à cidade. Coincidentemente, ela enviou no convite à sua amiga Débora um recado especial, pedindo que viesse para comemorarem tudo de uma só vez. Ao receber o convite, Débora resolveu não ir.
Durante a festa, convidados chegavam de cá para lá oferecendo seus presentes a Beatriz. De repente, um moto-boy parou na entrada do lugar e retirou da garupa uma caixa branca circular, como de um bolo; dirigiu-se à entrada e pediu para entregar aquela caixa pessoalmente a Sra. Beatriz. O porteiro, então, o levou até a sala onde estava Beatriz dançando com seu marido em presença dos convidados, ao som de música clássica. Chamada pelo porteiro, Beatriz voltou-se para o moto-boy e recebeu dele o presente que tinha sido enviado por sua amiga Débora com um recadinho num papel. No recadinho havia: “Aqui está a recordação que tenho de você!”. Abrindo a caixa, Beatriz se vê atônita com a atitude de sua amiga de infância. Encontrou ali um monte de estrume e fezes de animais. Todos os convidados viram quando Beatriz abriu a caixa (e foi inevitável sentir aquele odor que logo tomou toda a sala). Imediatamente ela levou a caixa para um outro local e agradeceu ao moto-boy, sem deixar muito claro o que sentiu naquele momento por sua amiga. A festa, então, continuou com toda a alegria que havia antes.
No dia seguinte, logo cedo a campainha tocou na casa de Débora. Alguém veio, então, atender. O entregador pediu para entregar sua encomenda, também, pessoalmente à Sra. Débora. Débora estava dormindo. A empregada da casa recebeu, então, a encomenda, pois a encomenda não podia retornar. Quando Débora se levantou da cama, a empregada lhe disse para ver o que tinham deixado em sua sala de estar. Chegando ali, Débora se viu, agora, totalmente perplexa com a surpresa, a ponto de abrir um sorriso meio que sem motivo de ser, mas era tudo o que ela sempre desejou ver em sua sala! Nem mesmo seu marido nunca tinha lhe dado um presente como este, ou mesmo isso nunca tinha se passado em sua mente. A sala, simplesmente, estava toda tomada das mais variadas, belas e aromáticas flores. Quem teria mandado aquilo? Não era seu aniversário! Por que alguém lhe mandaria flores de forma tão generosa, a ponto de o aroma exalado chegar até a porta da casa?!
Minutos depois, chegou mais um entregador com um ramalhete de rosas silvestres dos campos canadenses. (Quem havia mandado aquelas flores sabia que Débora não tinha recebido aquilo pessoalmente, porque estava dormindo). No ramalhete, Débora encontrou um papelzinho com um simples recado. Sua amiga Beatriz lhe escrevera: “Cada um só dá o que tem dentro de si!”.
Toda árvore boa dá bons frutos, mas a árvore má dá frutos ruins. Uma árvore boa não pode dar frutos ruins, nem uma árvore má dar bons frutos. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. É pelos frutos, portanto, que os conhecereis (Mateus 7,17-20).
Por muito tempo Débora passou chorando com o remorso que sentiu. Nesse choro parece que toda a recordação que tinha dos bons tempos de amizade com Beatriz lhe veio à tona, a ponto de suas lágrimas aguarem o ramalhete. O que faltava agora eram forças para tomar coragem e pedir perdão à sua amiga.
Como é difícil viver quando o orgulho petrifica o coração das pessoas, fazendo-as esquecerem as boas amizades e deixando de acreditarem que podem renovar a qualquer momento. Como é difícil viver quando a inveja e a avareza, que é o desejo de se apoderar de todas as coisas materiais, envenenam o coração das pessoas, fazendo o coração se tornar uma fonte que jorra e sai envenenando tudo o que encontra por perto. Como é difícil viver quando a preguiça convence as pessoas a “deixar pra lá” quando se tem de fazer alguma coisa urgente. É mais fácil viver quando se dá bons frutos, mesmo que eles sejam colhidos pelos maus.
Moral adaptada de autor desconhecido.
Comentários
Postar um comentário
Seu comentário será analisado para ser publicado. Grato. Paz e bem.