Às sete igrejas - testemunho
Na madrugada de segunda-feira, dia 31 de agosto de 2009, tive visualização em sonho sobre as sete igrejas. Consultando a bíblia, no livro do Apocalipse, encontramos Jesus enviando João seu discípulo amado a escrever cartas endereçadas às sete igrejas cristãs da época, denotando, dentre outros aspectos, uma preocupação com o destino projetado dos costumes daquela época em relação à nossa, e em que os cristãos poderiam recair (cf. Ap 2-3).
Nos dias que antecederam aquela madrugada do dia 31 de agosto, nenhuma lembrança ou elemento que induzisse à idéia de igreja ou mesmo “as sete igrejas” aconteceu de modo a causar sensações além das quais poderiam sugerir uma suposta descarga emocional, a não ser uma única questão interna que eu fazia ao Senhor sobre a postura que determinada seita tomava causando escândalo usando o nome de Jesus. Não era a primeira vez que essa seita se envolvia em escândalos, chegando a dar espetáculos de arrogância e hipocrisia diante das câmeras de televisão.
(...)
Eu me encontrava em meio à cidade, como num bairro semelhante ao bairro Cidade da Esperança (eu não moro nem costumo freqüentar esse bairro), acompanhado por minhas irmãs, minha sobrinha de nove anos e meu pai (...). Chegando a determinado lugar, voltei-me para uma casa em construção, com os tijolos ainda sem reboco. Alguém que eu não via o rosto (...) me chamava para entrar naquela casa. Minhas irmãs, minha sobrinha e meu pai me seguiam. Ao adentrar o lugar, havia corredores como uma vila muito estreita. Eu seguia aquele alguém (...). Passamos de uma vila a outra, e eu via muitas casinhas de aspecto humilde, semelhante a casinhas do interior, também elas em obra, umas sendo construídas e outras sendo reformadas. De tantos ziguezagues que demos, chegamos num ponto em que eu não mais sabia voltar. Até que tivemos de passar por uma casa muito deteriorada, de modo que o madeiramento da cobertura estava disposto a impedir nossa caminhada. Encontrando uma abertura, como uma porta, por baixo do madeiramento, tivemos de passar por ali, sob pena de causar acidentes como um desmoronamento. Para além dessa passagem por baixo daquele madeiramento, chegamos de frente a uma casinha de cor azul muito claro. Alguém saiu daquela casa, falou com o outro alguém que nos conduzia e então, tomou a frente para nos apresentar o lugar (...). O Espírito me comunicava o nome daquele outro alguém através do aspecto de seu rosto, por fazer alusão a pescadores. E o nome era “José”, porque todo Pedro também é José, também recebe a missão de cuidar e manter segura a fé cristã. O “José” nos dava um sorriso falando algo como se já estivesse no tempo de conhecermos aquilo (...), como se enfim, tivéssemos “chegado”. Chegamos! Eu não sabia, a final, onde chegamos, mas chegamos. O “José” nos fazia adentrar a casinha humilde de cor azul muito claro. Estava escuro, tateávamos as paredes. Até que escutamos o barulho de uma chave abrindo a porta do outro lado da casa, como numa fechadura de ferro muito antiga. Ao ser a porta aberta, uma luz intensa do sol nos atraía para fora. Saímos. E não vimos o sol, mas a luz era intensa e ao mesmo tempo não ardia em calor. Aos poucos a intensidade foi diminuindo até que nossos olhos conseguiram novamente identificar o lugar. Estávamos no centro de uma praça de uma cidadezinha desconhecida (...).
Ao dar uma volta com o olhar ao redor do lugar, eu via várias igrejas. O Espírito me dizia para contar quantas igrejas havia ali. E eu contei exatamente sete, sete igrejas. Nenhuma igreja tinha aspecto igual à outra, mas todas elas tinham um sinal em comum: uma cruz no eixo em cima da cobertura. Umas eram antigas com portas de madeiramento espesso em forma de popa de barco voltada para cima tanto a porta quanto a fachada; outras tinham aspecto da fachada retangular, semelhante a prédios do governo (não sei); umas tinham aspecto de restaurante, outras de base militar, mas eram igreja (...). Todas as igrejas estavam dispostas no lugar de forma aleatória, sem que rua ou alinhamento as dispusesse de forma ordenada, porém todas elas estavam com as fachadas voltadas numa mesma direção. As igrejas mais antigas estavam bem próximas da praça, enquanto as de aspecto reformada estavam mais distantes.
Estávamos ainda conhecendo o lugar. Demos uma pequena volta para além da praça, pois eu queria ver de perto as igrejas que estavam distantes. Em dado momento quando chegamos numa elevação de pedregulho tipo paralelepípedo além do primeiro nível da praça, eu tinha visto alguém vestido como um sacerdote judeu sair de um templo retangular que ficava além das sete igrejas, disposto em alinhamento perpendicular a todas as igrejas, de frente à praça e em nível a uns três metros mais elevado que o nível anterior das sete igrejas. Esse alguém conversava com o “José”; depois nos chamava, olhando para mim. Seu aspecto era de um homem jovem com barba longa que cobria seu pescoço, mas eu não conseguia fitar seus olhos (...). Ele nos chamava para o nível onde ele estava. Subimos pedra por pedra de paralelepípedo. Quando já estávamos no nível onde estava aquele sacerdote judeu, eu me perguntava sobre o sol. Como aquele lugar poderia ser iluminado sem sol? E ele nos disse para olharmos adiante do horizonte a leste, para onde todas as sete igrejas estavam voltadas. Realmente, o sol não tinha nascido. E eu vi a luz vir do horizonte a leste, fazendo curva de todas as direções em redor da esfericidade da Terra, a partir do leste, voltada para o lugar onde estávamos. E o homem nos preparava dizendo que o sol já vinha. Quando eu via parte da aurora do sol surgir a leste, a visualização acabou.
Eu sei que não sou melhor que os outros. Se alguma vez me senti importante, sei que Jesus se importa antes com os pecadores de almas doentes. Nesse sentido, é bastante delicado testemunhar essa visualização como uma resposta de fé, retomando o envio de João às sete igrejas que faziam parte do corpo místico de Cristo. Isso tanto por uma resposta particular quanto pelas confusões que certas seitas causam com seus escândalos.
Existem vários elementos dessa visualização que se identificam com a fé cristã. A pesar disso, ela não deve ser tomada como algum tipo de fonte de crença, a não ser um mero exalar do Espírito. Ora, a maturidade cristã é baseada na experiência vivida no seguimento a Jesus Cristo. É quando se fundamenta, quando se enraíza o sentido do “caminho”. “Caminho só se faz caminhando” – dizia o santo (...). Para isso, é preciso deixar-se levar por aquela obediência outrora rompida por Adão.
“Só aqueles que têm coragem de caminhar podem viver todos os dias na certeza de chegar” – D.P.
Na dimensão místico-espiritual, não é diferente a condição da obediência no seguimento a Cristo. Pois, algumas pessoas quando excitam certa área cerebral com uma determinada dose de “espiritualidade” acabam elas sentindo-se autoridades, sem necessidade de obediência. O “poder” que essas pessoas desenvolvem de forma mental projeta-se em elementos da religião para negar a essência do Cristianismo. Assim, achando que sua “salvação” estaria garantida, esses cristãos acabam rompendo com elementos básicos que envergonhariam o próprio Cristo se ele tivesse que repetir os mesmos ensinamentos de há cerca de 2000 anos: “Daí a César o que é de César” – cf. Mt 22, 21. Sim, Cristo pagou imposto, embora soubesse da forma como Império Romano dominava e de suas implicações justas ou não. E Cristo não nos ensinou a esconder do Governo milhões que deveriam ser usados para obras de caridade.
“Dize-nos, pois, que te parece: É lícito pagar imposto a César (ao Governo), ou não?” – cf. Mt 22, 17.
Nessa visualização que tive em sonho, o Espírito me comunicava a resposta de quem seria a amada do Senhor: pobre e cheia de graça; obediente e bela; casta, imaculada e virtuosa. Se para alguns, certos paradigmas protestantes ainda persistem rudemente como pedra de tropeço, tais características eu não as encontro em mulher alguma na face da Terra. Mas, como revelação de uma experiência mística, a figura das sete igrejas provoca um novo chamado à meditação de quem se enquadraria, de fato, numa das sete igrejas citadas no Apocalipse. Na verdade, o Espírito apenas quis reforçar em mim a meditação do que significa pertencer a Cristo como Igreja de modo inconfundível. Pois, Cristo nos quis igreja, “Eclésia”, assembléia dos fiéis, ainda que houvesse sete, mas todas com o mesmo sinal da cruz que prefigurariam um e único corpo místico de Cristo.
“A perene tentação dos que crêem é a de seqüestrar a Deus, monopolizá-lo para si para seu uso e consumo, enquadrá-lo em suas certezas teológicas, exauri-lo em suas instituições eclesiásticas, esquecendo-se de que sua ação salvífica não se exaure entre as funções visíveis de sua Igreja e que sua graça transborda e chega até nós por muitos outros canais além dos sinais sacramentais tradicionais” (Missal dominical, Paulus. In: O Domingo, nº. 45, 2009).
Jesus Cristo não tem sete corpos, mas um único corpo místico. Tampouco, partes de seu corpo considerando-se mais importante que as demais! Imagine uma das pernas de Cristo sentindo-se mais importante que um de seus braços! Por isso é que nossa fé se desdobra em comunhão, uma vez que todo o corpo de Cristo é unido por uma comunhão ordenada pela cabeça, que é o próprio Cristo. Assim, todo cristão é chamado a estar em comunhão com Cristo, mesmo aqueles que por vias da ingenuidade ainda participam de seitas, não de igrejas. E mesmo sendo considerados “cristãos”, são chamados a “amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou, viver como Jesus viveu, sentir o que Jesus sentia, sorrir como Jesus sorria...” – Pe. Zezinho, scj.
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