Acho que ela me ama - testemunho

Aconteceu na madrugada de uma segunda-feira, dia 19 de janeiro de 2009.

Algumas pessoas, amigas minhas, quando me viam daquele jeito (...) se importavam comigo me aconselhando sobre ela. Eu nem conhecia bem o “poder” de como ela conseguia convencer, talvez não por ignorância, mas por um orgulho que me ensinaram a cultivar desde pequenino, como numa rebeldia contra essas outras realidades que eu mesmo desconhecia dela. Algumas vezes, não minto, eu tinha até direcionado meu olhar pra ela, buscando encontrar em sua beleza algo que preenchesse um vazio que havia em mim, ainda meio que temeroso de que seu esposo sentisse ciúmes. Mas, naquele dia, naquela madrugada, foi irresistível.

Eu bem que poderia ficar calado, guardar segredo, e ninguém saberia o que aconteceu. Porém, quem tem me acompanhado há muito tempo conhece essa mulher, ou pelo menos já ouviu falar dela, e nesse sentido não poderia deixar de saber a tamanha alegria que senti pelo que aconteceu naquela madrugada.

(...) Eu estava caminhando com colegas de minha turma da faculdade de engenharia, quando nos vimos num campo espaçoso, semelhante a um campo de futebol, tendo a leste o mar à distância, longinquamente, (como a praia de Ponta Negra) e a oeste uma duna íngreme. Nós todos seguíamos um professor (...). Era noite e estava escuro, com pouca luminosidade ao redor, para além do campo em direção à praia. Não havia Lua no céu, apenas a luminosidade das estrelas e algumas nuvens indicando provável chuva. Quando, então, vi adiante, vindo além das dunas, em sentido oeste-leste, uma nuvem rasgando o céu e cruzando-o em sentido contrário ao normal que as nuvens de nossa região em geral seguem (leste-oeste). A nuvem era luminosa e tinha aspecto triangular, bordada e vazada ao centro. Ora, com aquela visualização, chamei um dos colegas e lhe apontei a nuvem cruzando o céu em sentido contrário ao normal. Ele ignorou uma vez, mas outra vez olhou bem e, também perplexo, juntou-se a mim para contemplar a cena inusitada. A nuvem foi se aproximando do zênite (centro celestial), justamente ao centro do campo de onde estávamos (...), quando, então, pude constatar se tratar de um agrupamento de anjos – todos eles cantando alegremente e pegando nas mãos uns dos outros e formando uma imagem, como se quisessem comunicar algo. Todos os colegas e o professor pararam e, juntos, contemplamos aquela magnífica epifania.

De repente, a nuvem de anjos foi se distanciando no céu, se elevando gradativamente, como se tentasse revelar uma imagem de quem, porventura, pretendia olhar para mim, e que eu não estava conseguindo “sintonizar” o que a imagem formada pelos anjos de mãos dadas queria dizer. Vi, então, a partir daquele triângulo luminoso, formar-se a imagem de uma mulher, com os braços entrecruzados, tendo um ramo de trigo numa das mãos, como se estivesse abraçando o ramo (...). Apesar de haver muitos colegas comigo, eu sabia que ela olhava diretamente para mim com um olhar infinito, ao mesmo tempo parecendo ser mãe e irmã e amiga. Ela era linda. Da forma como ela me olhou, vi-me extasiado, como se nunca imaginasse que alguém como aquela mulher um dia pudesse olhar pra mim daquele jeito. Aquele olhar pareceu, num instante, um mar sem fim, uma abertura do céu tentando revelar o que estava além. Por isso, acho que ela me ama, acho que ela se importa comigo. Logo ela, esposa, nada mais nada menos, do Espírito Santo: Maria a mãe de Jesus.

Eu pressentia que havia alguém ali, além daquela imagem nos céus. E que o Espírito me comunicava ser Maria a mãe de Jesus. Eu, porém, evitava considerar esse olhar terno e generoso, não resistindo quando tive a imediata impressão de ser a minha mãe, me chamando pelo nome.

Essa visualização eu a tive em sonho e, irresistivelmente, apreendi dela, mais uma vez, a lição de se voltar para os céus, ir além, não se deter no que meramente eu poderia conhecer já aqui neste momento, pois os céus chamam e ao mesmo tempo revelam seus reflexos no que já vivemos dentro do que significa ser cristão. Diante de inúmeras visualizações que costumo ter acerca de fenômenos transcendentais, achei conveniente testemunhar essa visualização, por se tratar de algo que urge a dizer que alguém lá em cima se importa comigo, que eu não estou sozinho.

Alguém já pagou o preço de estar na mais absoluta solidão além da cruz (...); e sei que com isso o mundo traz em sua testa a vontade de fazer conosco o que fez a Jesus, quando de suas últimas horas, apesar de ele ainda ter tido a companhia de sua mãe. Nesse sentido, em oração, encontrei em Mq 7, 8-10 aquilo que precisava escutar de Deus, quando surgissem inimigas pretendo rir às minhas custas, tentando me submergir e tratando as coisas de Deus como brincadeira. Então, o Espírito me veio em socorro revelando em sonho aquele olhar de Maria que eu nunca encontrei em mulher alguma nesta vida.

Que minha inimiga saiba muito bem que eu não estarei sozinho, que minha opção radical por Jesus Cristo já tem como garantia a intercessão de sua mãe santíssima. Pois, se Ele foi capaz, inclusive, de me dar sua própria mãe, sua própria irmã, sua própria amiga através de João – o discípulo amado, quem poderia me separar do amor dele?

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? Segundo está escrito: Por sua causa somos postos à morte o dia todo, somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro. Mas em tudo isso somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem futuro, nem os poderes, nem a altura, nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor” – Rm 8, 35-39.

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