E se eu parasse de falar de Jesus Cristo?

Observando o mais profundo dos céus, dentre tantas maravilhas celestes como galáxias, quasares, nebulosas, novas constelações e buracos-negros, os astrônomos conseguem detectar, inclusive, as chamadas “mortes das estrelas”. É um fenômeno explicado pela ciência basicamente analisando o tamanho da estrela quando “adulta”. Dependendo do tamanho, a estrela pode “morrer” explodindo, se expandindo ou se encolhendo. De todo jeito, para morrer, a estrela sofre todo um processo que leva milhões de anos. Nenhum de nós, certamente, estaria pronto para dar atenção a esses tipos de abordagens científicas ou mesmo, ficar dias, meses, anos sentado diante de um telescópio a espera da morte de uma estrela! Imagine, então, olhar para o céu estrelado e a qualquer momento, nos surpreendermos com um fato inédito do desaparecimento de uma estrela! Poderia parecer incrível, mas quem se importaria com um pontinho luminoso que se foi dentre tantos outros milhões de pontos luminosos que há no céu?

Analogamente, observamos nossa cidade iluminada por milhares de lâmpadas durante a noite. Ao percorrermos ruas e avenidas, só fazemos isso porque temos iluminação nos postes. Nas vias onde não há iluminação, logo repugnamos a tentativa de passar adiante, com medo do que possa se esconder na escuridão. Imagine, então, alguém passando adiante de uma avenida bem iluminada com inúmeros postes e somente um deles ter sua lâmpada queimada! Acaso se importaria com aquele único poste sem luz?

Há milhões de astros e estrelas no céu, como também há milhares de postes a iluminar as praças e vias de nossa cidade. Quase ninguém se importa se um ou outro ponto luminoso se apaga, desaparece. É como se isso fizesse parte de um ciclo natural, sem causas propositais, sem pretensão alguma – e de repente estava ali no poste uma lâmpada sem luz ou uma estrela morta no céu! No entanto, se não somente uma estrela morresse: se milhares e milhares de estrelas morressem de uma só vez? Num período de poucas horas durante a noite, se um terço das estrelas desaparecesse, talvez alguém se rendesse ao fato e lhe desse atenção! E se não somente uma lâmpada se apagasse: se dezenas e dezenas delas se apagassem numa avenida? Aí com certeza, alguém perceberia a falta que faz somente uma delas quando outras estivessem do mesmo jeito.

Eu sei que existem pessoas que, mediocremente, ainda pensam que nós cristãos somos encarregados, como numa obrigação vital, de fazer nossas tripas coração para “salvá-los”, como se fôssemos “cristos sofredores”, isto é, como se fôssemos motivo de prazer para quem gosta de fazer ou ver os outros sofrer. De fato, completamos em nossa carne aquilo que falta dos sofrimentos de Cristo. Mas, isso não quer dizer que devíamos servir aos interesses de quem quer nos tornar “escravos” do coitadismo. Ainda subsiste, teimosamente, aquela mentalidade de nos atribuir um coitadismo anacrônico, coisa, inclusive, enraizada em certas culturas, de tal modo que ser cristão significaria não poder entrar num estádio de futebol e torcer por seu time, não poder ir a um restaurante jantar com a esposa ou não poder curtir, cantar e dançar músicas cristãs de ritmo pop, reggae, pagode, forró ou rock. Essa mentalidade teimosa e meio ingênua pretende se aproveitar da boa-fé dos cristãos, buscando manter seu domínio sobre decisões de ascensão a cargos públicos ou promoção numa empresa, ao bel-prazer de quem repudia toda e qualquer idéia de “carregar sua cruz”.

“Agora eu me regozijo nos meus sofrimentos por vós, e completo, na minha carne, o que falta das tribulações de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja” – Cl 1, 24.

Então, surge a pergunta: Quem é o matuto aqui? E novamente outra pergunta: O que nós cristãos temos de mais que o mundo parece impor taxas e impostos se quisermos parecer “humanos”? Claro, tudo isso ainda mais se eu parasse de falar de Jesus Cristo. E se você também parasse de falar de Jesus Cristo, seria pior.

Pois, se eu parasse de falar de Jesus Cristo, talvez ninguém percebesse um mero pontinho luminoso que teria se apagado no céu. Se eu parasse de falar de Jesus Cristo, os cristãos continuariam a caminhar na avenida iluminada por tantos outros postes durante a noite. Assim como estrelas, lâmpadas também têm início e fim para mostrar seu brilho. Foi assim com tantos que iluminaram do seu jeito os caminhos da Igreja durante esses vinte séculos de Cristianismo, inclusive com aqueles que não figuraram no “nosso” livro dos santos. Entretanto, se não somente eu, mas se dezenas e milhares de cristãos parassem de falar de Jesus Cristo? Já não se teria condições de atravessar aquela avenida ou mesmo, o céu perderia boa parte de sua beleza e, certamente, poderia cair no esquecimento. Durante as noites, as trevas e o medo dominariam as pessoas, e o caos voltaria a ser objeto de estudo dos cientistas – não a harmonia. Nesse aspecto, o interessante é a relação direta entre esquecimento, trevas e caos. Isso não é ficção: isso é a mais pura realidade.

Se eu parasse de falar de Jesus Cristo, os significados atribuídos pela minha fé perderiam o sentido em mim mesmo. Não que os significados não possuíssem valores, mas sim que o sentido que os orienta já não indicaria o verdadeiro caminho, e assim você não saberia o que Jesus teria feito em minha vida. E se você parar de falar de Jesus Cristo, sem dúvida eu perderia o direito de saber o Ele fez em sua vida também. Se eu parasse de falar de Jesus Cristo, minha consciência seria a primeira a me acusar, e os dons do Espírito “mofariam” dentro de mim, e já não haveria pão saindo do forno para comer – haveria uma massa apodrecida por fungos e bactérias – e seria o primeiro a fugir de mim mesmo, cheio de vergonha quando Cristo batesse em minha porta. Dominado pelo orgulho, não teria coragem de reconhecer que sou pecador – pecador no sentido de ter parado de falar de Jesus Cristo, sem justificativas. Pois, o mundo busca inúmeras justificativas para nos surpreender e assim tentar fazer com que nós cristãos paremos de falar de Jesus e contristemos a esperança que faz nossa vida valer a pena. Inclusive, o medo de sucessivas decepções amorosas muitas vezes forja o silêncio sobre Jesus, como se o amor de Jesus não tivesse nada a haver com o amor humano. Nesse sentido, ser cristão é viver a esperança na vida futura intensamente e falar, e falar, e falar, do amor que não decepciona, não constrange.

Só existe uma forma de parar de falar de Jesus Cristo sem deixar de ser luz no mundo. Aparentemente, as trevas ficariam assim satisfeitas, apesar de se aborrecerem toda vez que a luz se manifesta. E essa única forma é justamente quando o próprio Jesus me chamar diante de seu Reino na eternidade e não mais for preciso voltar diante da minha própria consciência para corrigir erros. Quando eu puder ouvir diretamente da boca dele: “Eis que faço novas todas as coisas” – cf. Ap 21, 5. O rei Davi já exultava por antecipação diante de sua fé infalível ao crer que o Senhor dizia: “Senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos como escabelo (banquinho baixo) de teus pés” – cf. Sl 110, 1. Quando for inevitável esse encontro pessoal com Cristo, esta será a esperança de todo cristão: ouvir do próprio Jesus algo como: “Meu filho, chegou o tempo. Falaste por mim no mundo, agora sou eu que vou falar por você diante de meu Pai(cf. Lc 9, 26).

“Na verdade, eu não me envergonho do evangelho: ele é a força de Deus para a salvação de todo aquele que crê, em primeiro lugar do judeu, mas também para o grego. Porque nele a justiça de Deus se revela da fé para a fé, conforme está escrito: o justo viverá da fé” – Rm 1, 16-17.

 

Referência:

OLIVEIRA, José Fernandes de. Se a gente se calasse. In: De olho no mundo. Cantores de Deus. São Paulo, SP. Instituto Alberione (Brasil). Paulinas-COMEP, 2002. fx. 06. RG BRCMP0200371.  

Comentários

Minha foto
Franklin Rodrigues
Natal, Rio Grande do Norte, Brazil

Mais acessadas

Deus dialoga com a humanidade antes de qualquer pecado

Estou pensando em Deus

Os gestos são mais sagrados do que você imagina

Jejum convocado pelo presidente

Opinião sobre a IDEOLOGIA DE GÊNERO

Falar ou calar? O perigo do milagre

Falsos Profetas Hoje

Oração pelos mortos, procede ou não?